
No The World Viewed, o filósofo estadunidense Stanley Cavell afirma que o cinema é uma imagem em movimento do ceticismo, indicando que as razões que o tornam uma linguagem artística fundamental, a partir do século XX, seriam anteriores às próprias condições técnicas que viabilizam a sua origem. Esse autor sustenta, em especial, que a necessidade humana de se relacionar com o mundo através de uma tela refletiria problemáticas peculiares do ceticismo quanto ao mundo exterior. A intenção da palestra é detalhar os elementos fundamentais dessa implicação feita por Cavell entre cinema e ceticismo, mostrando que, para ele, as artes visuais, a partir da Modernidade, ecoam nosso afastamento da linguagem ordinária. Ademais, o propósito é mostrar que, na abordagem cavelliana, essa priorização de uma relação meramente especular com o mundo exterior decorreria de um traço essencial do sujeito moderno: o desejo de ver sem ser visto. Trata-se de debater como, nessa perspectiva, haveria uma mise-en-scène cética decorrente desse traço, mise-en-scène essa essencialmente cinematográfica.
Palestrante: Profa. Dra. Andrea Cachel (Universidade Estadual de Londrina)
Título: Cavell e o cinema como expressão do ceticismo moderno